Osteoporose

Wednesday, February 16, 2005

Osteoporose, uma doença silênciosa

Osteoporose

A osteoporose é uma doença ósteo-metabólica que atinge especialmente mulheres após a menopausa. Segundo a Organização Mundial de Saúde 1/3 das mulheres brancas acima dos 65 anos são portadoras de osteoporose. Entretanto estima-se que um homem branco de 60 anos tenha 25 % de hipóteses de contrair uma fractura osteoporótica.
O diagnóstico é baseado na densitometria óssea e na dosagem laboratorial dos marcadores de formação e reabsorção óssea. A densitometria também é o melhor percursor na descoberta de fracturas.
Os medicamentos actualmente disponíveis actuam mais na inibição da reabsorção óssea.
A principal forma de tratamento da osteoporose é a prevenção: deve-se evitar o fumo; álcool e café devem ser consumidos com moderação; a actividade física e ingestão adequada de cálcio são fundamentais; o treino e ensinamento das pessoas com osteoporose, pode evitar quedas e, consequentemente, as fracturas.

- O conceito

A osteoporose é uma doença sistémica progressiva caracterizada por diminuição da massa óssea e deterioração da microarquitetura, levando à fragilidade do osso e aumentando o risco de fracturas. Este fica incapaz de suportar o peso do próprio corpo. Fisiologicamente o osso é continuamente depositado por osteoblastos e absorvido nos locais onde os osteoclastos estão activos.
Normalmente, a não ser nos ossos em crescimento, há equilíbrio entre deposição e absorção óssea; na osteoporose existe desproporção entre actividades osteoblástica e osteoclástica, com predomínio da última.
O esqueleto acumula osso até a faixa dos 30 anos, sendo a massa óssea maior no homem do que na mulher. Daí por diante perde 0,3% de massa óssea ao ano. Na mulher a perda é maior nos 10 primeiros anos da pós-menopausa, podendo chegar a perder até 3% da massa óssea ao ano, afectando em maioria a mulher que tem vida sedentária.
De acordo com critérios da Organização Mundial de Saúde, 1/3 das mulheres brancas acima dos 65 anos são portadoras de osteoporose; estima-se que cerca de 50% das mulheres com mais de 75 anos venham a sofrer alguma fractura osteoporótica.
Apesar da osteoporose ser menos comum no homem do que na mulher, é estimado que entre 1/5 a 1/3 das fracturas do quadril ocorram em homens e que um homem branco de 60 anos tem 25% de hipótese de ter uma fractura osteoporótica.



- CLASSIFICAÇÃO:


A osteoporose pode ser primária (idiopática) ou secundária. A forma primária é classificada em tipo I e tipo II.
No tipo I, também conhecida por tipo pós-menopausa, existe rápida perda óssea e ocorre na mulher que entrou recentemente na menopausa. Predominantemente atinge o osso trabecular e é associada a fracturas das vértebras e do rádio distal.
O tipo II, ou senil, está relacionada ao envelhecimento e aparece por deficiência crónica de cálcio, diminuição da formação óssea.
A osteoporose secundária é decorrente de processos inflamatórios, como a artrite reumatóide; alterações endócrinas, como hipertiroidismo; mieloma múltiplo; por desuso; por uso de drogas como heparina, álcool, vitamina A e corticóides, estes inibem a absorção intestinal do cálcio e aumentam sua eliminação urinária, diminuem a formação osteoblástica e aumentam a reabsorção osteoclástica.


- FACTORES DE RISCO:


Os riscos que influenciam a manifestação da osteoporose podem ser relativos à pessoa (individuais) ou do ambiente que ela vive (ambientais).
São considerados factores de risco individuais a história de casos de osteoporose na família, mulher branca, presença de escoliose, indivíduos magros, tipo constitucional pequeno e aparecimento prematuro de cabelos brancos.
São considerados factores ambientais o álcool e o cigarro (inibidores da multiplicação dos osteoblastos); cafeína (aumenta excreção de cálcio); inactividade, má nutrição, dieta rica em fibras, proteínas e sódio (diminuem a absorção de cálcio); nuliparidade; amenorreia por exercícios violentos e/ou em excesso; menopausa precoce e endocrinopatias.



- DIAGNÓSTICO:


Como em outras patologias, o diagnóstico da osteoporose é feito pela história clínica, exame físico e colheita de dados.
Geralmente a osteoporose é pouco sintomática, às vezes só se manifesta por uma fractura, sendo por isso chamada de doença silenciosa. A dor dorso-lombar é queixa comum; o espasmo muscular é a principal causa dos sintomas, que também podem ser por microfraturas; em muitos casos, é consequência de uma fractura por compressão.
Na história deve ser inquirida a idade da menopausa, presença de factor família, hábitos alimentares, actividade física, uso de café, cigarro ou álcool.
No exame físico pode-se verificar deformidade da coluna; deve-se incluir dados de peso e altura, para acompanhamento específico.
Geralmente utiliza-se o hemograma, eletroforese de proteínas, provas de função renal, dosagens de cálcio e fósforo, fosfatase alcalina e calciúria de 24 horas pois os níveis de cálcio endógeno excretado estão directamente relacionados com o aparecimento da osteoporose.
O exame radiográfico pode mostrar diminuição da densidade óssea.
A densitometria óssea é utilizada para estudo seriado, para determinar a extensão da perda e para verificar a eficácia da prevenção ou tratamento.

-Existem diferentes tipos de equipamentos para a densitometria:
. Os chamados centrais avaliam a massa óssea do quadril, coluna e corpo todo;
. Os periféricos avaliam a massa óssea nos dedos, punhos, patela, tíbia e calcâneo;



-TRATAMENTO:

A principal forma de tratamento da osteoporose é a prevenção; são elementos críticos o pico de massa óssea e a prevenção da reabsorção pós-menopausa.
O pico de massa óssea é dependente do aporte calórico, da ingestão de cálcio e vitamina D, da função menstrual normal e da actividade física; a maioria dos agentes terapêuticos actua na reabsorção óssea, como anti-reabsortivos.



- FRACTURAS OSTEOPORÓTICAS





As fracturas e suas complicações são relevantes sequelas clínicas da osteoporose; quase todas as fracturas em idosos são devidas, em parte, à baixa densidade óssea. Podem ocorrer em qualquer osso, porém mais frequentemente acometem os ossos do quadril, coluna, punho e costelas.
Na presença de uma fractura é de suma importância investigar sua causa. A história clínica, o exame físico e exames laboratoriais devem afastar outras causas como osteomalácia, hipertiroidismo e neoplasias ósseas.
Nas situações onde o diagnóstico etiológico não pode ser esclarecido realiza-se biopsia ou colheita do material para anátomia-patológica, nos casos com exposição do foco para redução cirúrgica.
Baixo peso corpóreo, perda recente de peso, história de fracturas anteriores por fragilidade óssea ou casos de fracturas osteoporóticas na família e ainda o hábito de fumar são considerados altos factores de risco para a ocorrência de fracturas.
Pessoas com qualquer um desses factores têm um risco maior de fractura, independentemente da massa óssea. A ausência de qualquer desses elementos de risco diminui o risco de fractura por fragilidade do osso. Todos locais de fracturas, como falanges, corpos vertebrais e ossos longos parecem ter a mesma hipótese para fracturar novamente.
A consolidação óssea não parece ser afectada no idoso com osteoporose idiopática, desde que exista redução aceitável e grau de estabilização apropriada.
Geralmente a fractura de quadril é mais grave: uma média de 24% dos pacientes com fracturas de quadril e com mais de 50 anos de idade morrem dentro de um ano após a fractura; 25% dos pacientes com fractura do quadril requerem cuidados especiais por longo prazo e somente um terço recupera inteiramente o nível de independência de antes da fractura.
A frequência de fracturas de quadril é de 2 a 3 vezes maior nas mulheres do que nos homens, porém a mortalidade após uma fractura de quadril é cerca de duas vezes maior nos homens do que nas mulheres.
A dor, limitação física e mudança no estilo de vida associadas às fracturas do quadril e das vértebras podem causar sintomas psicológicos, como depressão, ansiedade, medo ou até mesmo ira, que também atrapalham a recuperação.


- Fracturas da Coluna:


As fracturas vertebrais podem causar complicações importantes, como dor residual, diminuição da altura dos corpos vertebrais e cifose.
Múltiplas fracturas torácicas podem resultar em doença pulmonar crónica; fracturas de vértebras da coluna lombar podem alterar a anatomia do abdómen e levar à obstipação, dor e distensão abdominal, redução do apetite e sensação de saciedade precoce.


- Fracturas de Ossos Longos:


Se a fractura for estável, com indicação de tratamento não cirúrgico, deve-se evitar repouso prolongado, já que podem ocorrer complicações como pneumonia, insuficiência cardíaca congestiva, doença tromboembólica, úlceras de decúbito e deterioração músculo-esquelética.
A imobilização gessada deve ser bem acolchoada por causa da má qualidade da pele que em geral os idosos apresentam, especialmente na presença de neuropatia ou doenças vasculares.
A maioria das fracturas dos ossos longos são melhores tratadas com estabilização cirúrgica precoce que proporcione rápido apoio dos membros inferiores ou restabelecimento funcional dos membros superiores.



- Em suma:


A osteoporose reflete uma perda desajustada de massa óssea durante crescimento e maturidade Como não há nenhuma medida efectiva para se reconstruir o esqueleto é na prevenção que se encontra a estratégia primordial.
Como as fracturas em geral ocorrem por quedas, deve-se usar calçados com sola de borracha; procurar apoio de bengala, quando for preciso melhorar a estabilidade da marcha; tomar cuidado com pisos e calçados escorregadios; evitar andar de meias. Deve usar barras de apoio e tapetes de borracha, na casa de banho; utilizar pequenas luzes de orientação para auxiliar a locomoção dentro de casa, à noite; deve evitar tapetes e outros objectos que proporcionem tropeços.
Para qualquer idade deve-se evitar o tabaco; o álcool e café devem ser consumidos com moderação; a actividade física e ingestão adequada de cálcio são fundamentais.
Na peri e pós menopausa, se há história familiar, deve-se fazer um controle anual com densitometria óssea. Eventualmente deve-se proceder à reposição hormonal e, para idosos, é importante o suplemento com cálcio de vitamina D.

Helhupiluana

2 Comments:

  • At 11:50 AM, Blogger joão diogo said…

    o weblog apresenta informações uteis para a informação da comunidade, deste modo, venho felictar-vos.... Parabens

     
  • At 2:13 AM, Blogger Hélder Morgado said…

    O meu grupo decidiu este tema tendo em conta que as pessoas na realidade ouvem falar mas não sabem o que é isto de osteoporose. Só se preocupam com o problema quando o mal as atinge, e não custa nada prevenirem-se. Um abraço deste amigo estudante de Enfermagem Hélder

     

Post a Comment

<< Home